Faz tanto tempo algumas
coisas que nada aconteceu como achamos que seria um dia. Do que é feito os
beijos? A saudade? Lembranças? E quando o amor acaba? Do que é feito o fim?
Nada é eterno enquanto dura. Nada!
Nem amor de mãe é finito
posto o feito de ser incondicional. Tudo acaba um dia. E do que é feito o
sentido de tudo? De nada.
Faz tanto tempo tantas
coisas que já nem me lembro das últimas novidades e a sós com o bandolim de
amor aprendo tua demora paciente e obscura. Ora amigo, ora amante, mas sempre
distante.
Diga-me como tem sido seus
dias!
Se não me tomas, ah meu bem,
se não me tomas, ao invés de versos e vida, mando-te o gosto do meu morrer,
esquivo a esperança. Fecho a porta!
Mas se me tomas entenderei.
Encaro qualquer situação seguinte.
Começo a aceitar que só me
permito escrever-te quando estou assim vulnerável a qualquer lágrima, ao mesmo
tempo sem me tomar pela força de tornar tudo melodiosamente dramático. Falo de
coisas que não sinto quando acordo que não sinto enquanto houver o dia ali para
me fazer esquecer. Falo de tantas coisas que há tempos não venho dizendo
absolutamente nada.
Se digo que amo, minto. Se
digo que não amo, minto. Se vou embora, choro. Se fico, choro também. E então
escrevo na esperança de que entenda que no fundo quero sair voando, voando,
voando. Na esperança de que me deixe sim partir.
Eu sobrevivo de perguntas
constantes na certeza agoniante de nunca obter uma resposta. Eu sobrevivo, ou
pelo menos tento sobreviver, do presente passado, o agora futuro. Do micro, coisas
da vida!
Estou enlouquecendo, colocando
vírgula em ponto final.
Estou perdida, entrando pelo
teto saindo pela janela.
Não reconheço minha face,
não reconheço meus sentimentos. Estou morrendo.
Aprendi com você a morrer em
tudo que me deprime e que me da prazer!
Não quero mais buscar essa
sensação nostálgica somente para poder lhe escrever. No último e-mail você me
perguntava de como eu estava suportando esse nosso tempo e na falta de coragem
mais uma vez não lhe respondi!
Ou respondi, se por um
instante qualquer frase se comportar em um único sentido.
Teu passado me atormenta!
[por favor, não volte na próxima semana].
Ainda há pouco, R. estava
aqui e você sabe, mais uma vez falamos de você!
Permita-me tirar a culpa do
não querer-te longe das minhas razões?
Permita-me culpa-lo,
julga-lo réu de uma situação da qual eu não me permito seguir?
Tenho conversado com as
vozes daqui de dentro. Como se chamam?
Tempo.
Ele
corrói todas as cordas de sentimento. Disse-me que falta pouco!
[Ps:
Saudade de uma conversa!] ... Espero que me entenda.
