Expresso o inexpressável, por isso é indefinido!


[expresso o inexpressável, por isso é indefinido]
Deixar no subentendido é a melhor forma de se dizer quem somos. O silêncio diz muito.
E se souberes de mim, por favor diga-me, tenho ocupado meu tempo em me libertar e viver.
Me entender/descrever agora, seria me retardar em alguns sentidos!

{Paula Nonato}

domingo, 14 de julho de 2013

Lugar escondido


            Eles só falam de certezas escondias e de mudanças repentinas, falam das coisas que saem do lugar e do amor que eu ainda não vi chegar, e eu nunca vi chegar porque eu vivo no mundo das cores e das pessoas, das músicas altas, das risadas sinceras.
            Eu vivo da Sexta-feira amor, dos sábados e domingos também, mas ultimamente eu tenho feito outras tantas escolhas que não sejam dançar e beber e rever os novos dos velhos antigos amigos. E dessas escolhas eu vou me despedindo do cheiro das flores, do colorido do campo e entrando num abismo onde a luz deve vir de mim.
            Não é que eu não queira seus beijos, teu sexo ou nossos filhos, mas estou descobrindo que machuca amar alguém, mas a vida é um balão pra eu cuidar e se você chorar a lágrima vai embora e aí você desiste de amar de novo.
            Se você pudesse reinventar dia a dia cada mania que queria que em mim estivesse não precisaríamos de despedidas e nem brigas, porque dia a dia você reinventaria um novo amor, eu sei!
            Açúcar ou adoçante? Você se lembra?
            Puro!
            Amargo!
            Azedo!
            Ruim! Mau, que não presta. Perverso. Funesto.
            Sou como um bicho cego enterrado a meio fio, entre o meio e o fim. Mas você reapareceu, desses dias chatos, me trazendo a cor da beira do precipício, das danças do violão ao som do meu cantar. Morrendo de rir. Planejando os planos. Fica por aqui. Vou cuidar das cores das flores dos filmes em preto em branco, discutindo Tom Jobim. Vem cuidar de mim.
            Mas eu detesto despedias então fica pra ficar pra poupar de um dia eu não mais querer amar...
            Da briga de ontem, do amor de hoje, do velho, do novo. Do povo. Da música, da dança, da lenda. Da certeza, dos sonhos, da magia. De tudo eu não quero me despedir. Ninguém saberá pra onde fui morar.
            Vem meu bem. Hoje é dia de São Ninguém...
            Sem se despedir!
            Quando a cortina se abrir, vou sentir a chuva cair, vou me molhar e rir, sem ver você acordar e descobrir meu quintal imundo.
            Mas já faz um tempo bom que eles só falam nessa coisa de amar, do tempo, das mudanças e certezas do amor que eu ainda não vi chegar.