Eles só falam de certezas escondias e de mudanças
repentinas, falam das coisas que saem do lugar e do amor que eu ainda não vi
chegar, e eu nunca vi chegar porque eu vivo no mundo das cores e das pessoas,
das músicas altas, das risadas sinceras.
Eu vivo da Sexta-feira amor, dos sábados e domingos
também, mas ultimamente eu tenho feito outras tantas escolhas que não sejam
dançar e beber e rever os novos dos velhos antigos amigos. E dessas escolhas eu
vou me despedindo do cheiro das flores, do colorido do campo e entrando num
abismo onde a luz deve vir de mim.
Não é que eu não queira seus beijos, teu sexo ou nossos
filhos, mas estou descobrindo que machuca amar alguém, mas a vida é um balão
pra eu cuidar e se você chorar a lágrima vai embora e aí você desiste de amar
de novo.
Se você pudesse reinventar dia a dia cada mania que
queria que em mim estivesse não precisaríamos de despedidas e nem brigas,
porque dia a dia você reinventaria um novo amor, eu sei!
Açúcar ou adoçante? Você se lembra?
Puro!
Amargo!
Azedo!
Ruim! Mau, que não presta. Perverso. Funesto.
Sou como um bicho cego enterrado a meio fio, entre o meio
e o fim. Mas você reapareceu, desses dias chatos, me trazendo a cor da beira do
precipício, das danças do violão ao som do meu cantar. Morrendo de rir.
Planejando os planos. Fica por aqui. Vou cuidar das cores das flores dos filmes
em preto em branco, discutindo Tom Jobim. Vem cuidar de mim.
Mas eu detesto despedias então fica pra ficar pra poupar
de um dia eu não mais querer amar...
Da briga de ontem, do amor de hoje, do velho, do novo. Do
povo. Da música, da dança, da lenda. Da certeza, dos sonhos, da magia. De tudo
eu não quero me despedir. Ninguém saberá pra onde fui morar.
Vem meu bem. Hoje é dia de São Ninguém...
Sem se despedir!
Quando a cortina se abrir, vou sentir a chuva cair, vou
me molhar e rir, sem ver você acordar e descobrir meu quintal imundo.
Mas já faz um tempo bom que eles só falam nessa coisa de
amar, do tempo, das mudanças e certezas do amor que eu ainda não vi chegar.