Expresso o inexpressável, por isso é indefinido!


[expresso o inexpressável, por isso é indefinido]
Deixar no subentendido é a melhor forma de se dizer quem somos. O silêncio diz muito.
E se souberes de mim, por favor diga-me, tenho ocupado meu tempo em me libertar e viver.
Me entender/descrever agora, seria me retardar em alguns sentidos!

{Paula Nonato}

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Flores de Maio

Não pude reinventar novos modos, não consegui me reerguer dos tombos que a vida ofereceu de brinde, não, eu já não devo reescrever canções para simplesmente apagar o que já machucou, ao mesmo tempo, não faço questão de ser tudo, não faço questão de manter vivo a relação pai e filha, nossas desordens não nos permitem tamanha insanidade, e o que você esta fazendo com tudo isso?
Por quanto tempo vou me desmoronar todas as noites antes de dormir?
Estou reeducando minhas palavras, nesta letargia incessante de querer pré moldar as minhas estruturas tentando fazer da dor uma arte contínua, para que assim, eu possa me mover de tudo que não nos cabe. Sinto-me como um objeto descartável, como um sapato velho, como água suja que só serve para não estar ali e que ainda assim insiste em existir como quem é inexorável, como quem é psicopata o suficiente para fazer de tudo o grande rebu. 
Como regurgitar tanta falta, tanto choro, tanta raiva, tantos "tantos" sem parecer triste? Pai, foi a última vez que me ouviu te chamar assim e a culpa não é mais nossa, não existem culpados e inocentes, vou empurrando meu presente e enterrando você no passado mórbido que arrisca vez ou outra me perturbar nas insônias constantes de cada dia.
O que você tem feito com tudo isso? É fato que ainda consegue dormir em paz depois de tudo? É certo dormir enquanto já não posso mais respirar?
No diz que me disse, estou parada, estática, esperando o tempo que não volta mais, "Foi-se com o tempo", e o que sobrará do que passou depois de tudo que foi dito, depois de tudo que foi feito?
Queria poder esperar respostas suas...
[Silêncio]
Nunca foi fácil comportar minhas palavras para aliviar a dor, mas isso me ajuda a não chorar e a repulsa faz com que eu quebre todos os cacos que há pouco reconstitui. O primeiro passo é querer viver!
Viver é conjugar, é se permitir, é não entender o que é viver, é não entender os porquês. Viver é existir. Vivo logo existo, não necessariamente nesta ordem!
Tudo novo de novo.
Pai... Paz!
Enfim o fim sem pausas, sem pressa, sem adeus, sem velas, sem nada. 
É o que nos resta?
[...]



(Dedico inteiramente a amizade sincera que cultivamos e principalmente ao sorriso de Jéssica Reis)