Expresso o inexpressável, por isso é indefinido!


[expresso o inexpressável, por isso é indefinido]
Deixar no subentendido é a melhor forma de se dizer quem somos. O silêncio diz muito.
E se souberes de mim, por favor diga-me, tenho ocupado meu tempo em me libertar e viver.
Me entender/descrever agora, seria me retardar em alguns sentidos!

{Paula Nonato}

domingo, 29 de setembro de 2013

Uma carta para Samuel



            Cair não permite ensaios, e de olhos fechados eu me joguei do abismo. Eu pensei que não sentiria dor, mas eu me quebrei e ainda posso sentir os estilhados de mim, pedaço por pedaço em cada centímetro do chão duro.
            A queda vai se acelerando a medida que vamos ficando perdidos e sozinhos, por isso escrevo-te, na esperança de que o chão fique cada vez mais distante, para que eu possa me sentir segura, tranquila e leve. Cair é natural, mas dói, machuca e quebra. Quebra como um copo que sai da mão, como um coração que desaprende a bater compassadamente.
            Eu jamais mudaria meus conceitos, as minhas relações, nunca, jamais, em momento algum, caso as coisas viessem de maneira mais comestível, não que eu queira tudo fácil, mas às vezes podemos evitar algumas proporções grandes quando a projeção primeira é certa e única. Eu jamais mudaria, mas saberia que passo dar e quando e como; Um de cada vez.
            Venha me buscar essa noite, eu preciso te dizer tanta coisa, a começar de quando e como nos conhecemos. Ainda posso sentir o frio daquela madrugada, e de como me senti quando você estava ali sozinho, e eu sem saber estava lá. Agora é a sua vez de estar aqui, sem ser para nos usarmos, é só uma questão de afeto, de conexões NÃO paralelas. E disso eu gosto!
            Posso falar também de como estou me sentindo antes de contar de como é estar em pedaços, podemos fazer trocas e reinventar besteiras, construir escadas no escuro, ou um elevador no arranha-céu. Só não me deixe cair sozinha, não, na verdade me deixe cair, sozinha que seja só não deixe que o chão se aproxime mais.
            Nessa tarde eu pude observar a minha falta de ar e de como o tapete da sala pode respirar por mim, na ânsia de não me sentir sozinha o tapete estava ali para me dar o ar, mas cadê você? A casa está escura e vazia na sua imensidão, e eu faço parte de toda essa palhaçada constante!
            Já vomitei toda a minha podridão para poder pesar na balança e assim poder entender o que não tem nada a ver para eles, no fundo eu sou a cara dela e isso para ele é inaceitável. Hoje eu já posso entender.
            E por fim só mais um abraço de adeus. Não se vá tão cedo, mas se for, volte logo, volte em breve!

PS: Triste realidade confusa!
Amo-te? [...]