Cair não permite ensaios, e de olhos fechados eu me
joguei do abismo. Eu pensei que não sentiria dor, mas eu me quebrei e ainda
posso sentir os estilhados de mim, pedaço por pedaço em cada centímetro do chão
duro.
A queda vai se acelerando a medida que vamos ficando
perdidos e sozinhos, por isso escrevo-te, na esperança de que o chão fique cada
vez mais distante, para que eu possa me sentir segura, tranquila e leve. Cair é
natural, mas dói, machuca e quebra. Quebra como um copo que sai da mão, como um
coração que desaprende a bater compassadamente.
Eu jamais mudaria meus conceitos, as minhas relações,
nunca, jamais, em momento algum, caso as coisas viessem de maneira mais
comestível, não que eu queira tudo fácil, mas às vezes podemos evitar algumas
proporções grandes quando a projeção primeira é certa e única. Eu jamais mudaria,
mas saberia que passo dar e quando e como; Um de cada vez.
Venha me buscar essa noite, eu preciso te dizer tanta coisa,
a começar de quando e como nos conhecemos. Ainda posso sentir o frio daquela
madrugada, e de como me senti quando você estava ali sozinho, e eu sem saber
estava lá. Agora é a sua vez de estar aqui, sem ser para nos usarmos, é só uma
questão de afeto, de conexões NÃO paralelas. E disso eu gosto!
Posso falar também de como estou me sentindo antes de
contar de como é estar em pedaços, podemos fazer trocas e reinventar besteiras,
construir escadas no escuro, ou um elevador no arranha-céu. Só não me deixe
cair sozinha, não, na verdade me deixe cair, sozinha que seja só não deixe que
o chão se aproxime mais.
Nessa tarde eu pude observar a minha falta de ar e de
como o tapete da sala pode respirar por mim, na ânsia de não me sentir sozinha
o tapete estava ali para me dar o ar, mas cadê você? A casa está escura e vazia
na sua imensidão, e eu faço parte de toda essa palhaçada constante!
Já vomitei toda a minha podridão para poder pesar na
balança e assim poder entender o que não tem nada a ver para eles, no fundo eu
sou a cara dela e isso para ele é inaceitável. Hoje eu já posso entender.
E por fim só mais um abraço de adeus. Não se vá tão cedo,
mas se for, volte logo, volte em breve!
PS: Triste realidade
confusa!
Amo-te? [...]